As primeiras fotos do ano que começou com dias quentes e noites de tempestades elétricas.
Chernobyl
Desde que descobri que era possível conhecer Chernobyl, essa ideia nunca mais saiu da minha cabeça. Admito que tenho gostos estranhos para algumas cosias. Foram anos de espera até de repente estar lá dando um rolê e pegando uma radiação.
Estar em Chernobyl é como estar em um cenário de filme, às vezes de terror. O mais legal é ver como o mundo seria sem a presença do homem, é uma cidade fantasma... quase literalmente.
Casas de madeira apodrecendo e caindo, prédios ruindo, o mato tomando conta dos espaços, os objetos abandonados na correria de quem fugiu sem olhar para trás, tudo ajuda a deixar um clima tenso como a própria história.
Não se sente e nem se vê a radiação, mas o Contador Geiger, da guia, apita sem parar e lembra, uma das principais recomendações, que é melhor não encostar em nada para não ter perigo de se contaminar e ter que ficar lá mais um tempo cumprindo o protocolo de descontaminação.
No começo tudo te deixa apreensivo, seja um mosquito que entra na van e você fica com medo de ser picado (sem saber se vai ganhar grandes poderes e grandes responsabilidades, melhor não arriscar), passar todo encolhido nos lugares para não encostar no mato, lutar contra a vontade de pegar as coisas com a mão, usar casaco e capuz mesmo com um baita sol, até o passar dos minutos perto do sarcófago do Reator 4 te deixa um pouco pilhado, mas tudo isso também é o que te deixa excitado com o lugar.
Para fechar, uma história de uma das cenas mais bonitas que vi na vida e que não tem foto. No final do dia, na volta, quase todo mundo dormindo na van, de repente uma desaceleração brusca e a guia fala para todos olharem para a esquerda. Acordo meio perdido com a freada e vejo um "bando" de cavalos selvagens, todos dourados pela luz do final de tarde, eram uns 7 ou 8, terminando de atravessar a estrada e sumindo numa entrada do mato.
Mais algumas fotos aqui.
Kiev - Ucrânia
Em Kiev foi a primeira vez que deixei a câmera ficar sem bateria em toda a viagem, por isso menos fotos de uma cidade muito bonita, limpa e até cheirando à flores.
Como me disse a menina do hostel, Kiev é uma versão menor de Moscou, algo como comparar Curitiba com São Paulo. São prédios grandes, imponentes, avenidas muito largas com passagens subterrâneas, algumas com diversas lojas e a até um pequeno shopping subterrâneo em uma das travessias, além das igrejas ortodoxas lindas que são uma das atrações da cidade. Até eu que não sou religioso, embora goste de religião, fiquei uns 15min. encantado com todo "dourado" da parte interna da igreja e acompanhando a missa cantada..
Lá foi a primeira vez que me senti totalmente analfabeto, a maioria das coisas está escrito no alfabeto cirílico. Você sai na rua e não entende nada de nada. É uma situação estranha, mas também engraçada.
O mais maluco foi conhecer a cidade e meses depois acompanhar pela tv e internet toda a movimentação e o cenário de guerra que virou a Praça da Independência.
Para fechar, uma historinha para falar que a gente não precisa fotografar tudo (quando não é trabalho), o mais importante é lembrar de tudo, vi/ver tudo.
Tinha uma estátua bem grande do Lênin que ficava guardada por dois guardas, passei por ela quando já não tinha mais bateria na câmera, mas tenho a imagem dela e dos guardas bem fresca na cabeça, além da imagem dela sendo derrubada tempos depois num dia de protesto contra a aproximação econômica Ucrânia-Rússia.
Quando viajarem tá liberado fotografar menos e aproveitar mais!
Mais algumas fotos aqui.
No próximo post o real motivo para ter dado "um pulo" na Ucrânia . . . Chernobyl!